quarta-feira, 20 de maio de 2009

Constantino Apolinário da Vitória Régia


Abandonado pela mulher, pai de 13 filhos e com mais 4 de criação, trabalhador braçal e filósofo da vida, eis Constantino Apolinário da Vitória Régia, um de nossos tantos ilustres clientes que por vezes frequentam o Morcego Blues, trazendo estórias e estórias na bagagem. Ontem, reparando no movimento, constantino com sua costumeira rude simpatia se pôs a falar sobre uma viagem que fez ao norte do estado, quando ainda era moço. Diz ele que numa noite, quando atuava como caixeiro viajante, teve de pernoitar numa cidade muito simples. Era noite de lua cheia e a preocupação de todos naquele povoado era om o tal lobisomem que assombrava as pessoas.

Diziam ser um monstro de mais de 2 metros de altura, forte como um touro e com os olhos mais vermelhos que molho de tomate em latinha de Coca-Cola. Ninguém ali ousava encarar a criatura, e aqueles que o tentaram, padeciam da maldição do dito bicho, que causava vermelhidão nos olhos.

Constantino não acreditava naquilo que seus olhos não viam ou no que a dona cachaça não lhe mostrasse, e sendo um corajoso juramentado, pôs-se à disposição para enfrentar o lobisomem, ainda mais quando uma das moças da hospedaria se derretou toda com a postura paladina do caixeiro.

Saiu então pela noite, nosso destemido cliente, montado em seu cavalo manco, quero dizer, branco, vagando sem direção, buscando tão somente encontrar o tal homem-lobo para o acerto de contas. Horas e mais horas se passaram, e nada do bicho. Constantino já se dava por satisfeito, não tendo encontrado o monstro e crente de que o mesmo havia fugido, sabedor da existência de homem corajoso e destemido em seu encalço, contudo, todo mundo é sabedor do ditado de "quem procura acha", e no fim da estrada estava a fera, gigantesca, furiosa e com seus olhos vermelhos.

Constantino sentiu o cavalo tremer, mas inspirando confiança em sua montaria, inspirou o ser equino a não temer o ser lobo. Sacou do revólver, mas lembrou que somente bala de prata feriria o bicho e a sua última, ele havia vendido a um homem no sertão de Goiás. Teria de ser na unha a batalha, contudo, lembrou-se que na caixa que carregava contendo seus produtos de venda, havia uma colher de prata e resolveu usar disso para ter alguma chance a mais contra o Lobisomem.

A batalha durou horas a fio, eram forças equiparadas, jamais o lobisomem havia enfrentado homem tão sabedor das artes da briga e nem mesmo Constantino havia encontrado lobo tão sabedor das armadilhas do embate. A peleja prosseguia e o cavalo de meu cliente só ficava ali, roendo unha, esperando o fim daquele duelo de titãs.

Por fim, quando ambos os combatentes já se demosntravam cansados, uma colherada na cabeça do lobisomem fez com que o mesmo caísse gemendo de dor. Constantino se aproximou para dar fim ao bicho, mas reparou que os olhos vermelhos do Lobisomem eram característicos de alguém com conjuntivite, e ele como bom caixeiro, tinha alguns remédios na sua maleta. Resolveu e viu que o Lobisomem era um cliente em potencial, conversou e vendeu alguns colírios para ele, além de remédios e corativos para os ferimentos da briga, descobriu também que o monstro era vesgo e fez negócio nuns óculos corretivos. O Lobisomem, que se chamava Ernestino, ficou por deveras agradecido e nunca mais atacaou o povoado, e Constantino ainda fez bons negócios, vendendo colírio para as vítimas da maldição do lobisomem.

Sabedor de que aprecio suas estórias sem pé nem cabeça, novamente Constantino me destraiu e saiu sem pagar a conta... Vê se pode?!

Nenhum comentário:

Postar um comentário